Apresentações
Para a finalização da interdisciplina da Eja, recebemos a proposta de criarmos grupos e realizarmos entrevistas com alunos e professores da educação de jovens e adultos.
No segundo momento os pequenos grupos apresentaram o trabalho para o grande grupo.
Seguindo a orientação para o trabalho o mesmo ficou assim:
Educação de Jovens e Adultos no Brasil – Turma B
Proposta 2
Entrevista com estudantes ou egress@s da EJA Professora Aline Reis C. Hernadez
Tutora: Maria Rosane Rutsatz Componentes do grupo:
Andreia A. Manoel Godinho
Luceli Catiane da Silva
Maria Lúcia da S. Rodrigues
Rosângela de A. Farias
A entrevista realizada, ocorreu com os alunos da EJA na E.M.E.
Fundamental Farroupilha, situada na Avenida Senador Salgado
Filho, nº 6031, vila Orieta, cidade de Viamão, RS. Com as turmas
das professoras “D” e “C”, Etapa I e Etapa II.
❖ Horário das aulas: das 18:30 às 22:00hs.
❖ O espaço físico da escola é bom, tem muros em seu entorno para dar mais
proteção a comunidade escolar, grades no hall de entrada que dá acesso direto à
secretaria escolar, e a portaria tem um guarda municipal e o portão chaveado. Tem
área coberta para dias de chuva.
❖ A escola tem sala de multimídia, sala de atendimento educacional especializado,
biblioteca, quadra de esporte fechada e também aberta, horta escolar, saguão com
mesa de flaflu e ping pong para os alunos se distraírem no intervalo, refeitório bem
grande com mesas e bancos para os alunos lancharem, para aqueles que chegam
direto do trabalho podem jantar antes de começar as aulas.
❖ A escola esta numa área urbana onde têm pequenos comércios, igreja, farmácias
Dados da entrevista:
❖ Entrevistados: 10 alunos
❖ Idade: Entre 24 a 64 anos
❖ Gênero: 8 F e 2 M
❖ Etnia/ Raça: 5 brancos - 3 negra - 2 parda
❖ Todos estudaram em escolas públicas.
A maioria necessita se desloca com transporte coletivo.
Somente duas alunas não frequentaram a escola quando
crianças. Uma delas, aos 16 anos participou do “Projeto Ler”
por 2 anos, sendo alfabetizada. Ofertado numa escola no horário noturno das 18h as 20:30min.
Como era o ensino nos anos em que frequentou a escola
durante a infância/adolescência?
❖ Educação e professores mais rígidos;
❖ Podiam castigar e puxar orelhas dos alunos;
❖ As aulas eram todos os níveis juntas, no Projeto Ler.
O motivo que os levou a não estudar ou deixarem a escola
mais cedo:
❖ Precisavam trabalhar ou cuidar dos irmãos;
❖ Escola era distante;
❖ Pais ou responsáveis acreditavam que pobre não tinha necessidade do filho estudar.
❖ Expulso por falta de respeito, pai trabalhava como
pedreiro, e não o matriculou mais.
Por que retornar a escola?
❖ Saber ler e escrever para não passar vergonha;
❖ Realização do sonho da formatura;
❖ Para saber ler e compreender os documentos antes de assinar;
❖ Retornou para dar incentivo para filha, mas a filha parou devido o
marido não deixar ela estudar (16 anos);
❖ Não perder o emprego;
❖ Ter uma certificação para subir de cargo ou arrumar um emprego
melhor;
❖ Dar continuidade nos estudos, visando fazer um curso técnico ou
superior.
A escola de hoje é diferente da
escola que você estudou na infância?
❖ A maioria relatou que não mudou;
❖ Somente a forma dos professores são mais amigos e
conversam mais com os alunos, e que antes eram severas,
rígidos que as crianças tinham medo.
Que lembranças trazem de quando estudaram, o que
aprenderam?
❖ Lembram das letras, do alfabeto, dos números das
operações, de pintar e copiar do quadro.
❖ Um livro que era usado somente na sala de aula;
Como o professor(a) ensinava?
Passava no quadro, lia e fazia prova escrita e prova oral,
tínhamos que decorar e fazer como ele ensinava.
O que achava desta forma de ensinar?
A maioria disse que achava bom, mas quem conseguia se
fazer como a professora mandava se dava bem, os demais
tinham que fazer várias cópias no caderno com a letra
que era indicada.
Voltar a estudar está sendo para eles a realização pessoal, e
uma satisfação muito grande. E sair da rotina, voltar a viver
uma vida social mesmo que dentro da escola, com os
colegas, participar de eventos e ainda conseguir atingir o
principal objetivo “se alfabetizar” “ter uma certificação”,
para todos está sendo muito importante.
O que você acha de estar na escola?
O que aprendes na escola da
EJA consegues levar para tua vida?
Sim, quem tem crianças pequenas na fase da alfabetização, já
consegue auxiliar essa criança. Consegue incentivar outras pessoas a
voltar a estudar. Recebem muito estimulo da família e amigos e
torcendo pela nova conquista.
Qual o sentido para você de (voltar a) estudar agora, depois de
jovem/adulta(o)?
Diferente, as vezes difícil, devido a rotina que se tem na vida adulta,
os compromissos, as preocupações, o medo de sair a noite e de voltar
para casa, mas ao mesmo tempo se sentem animados por estarem
fazendo algo novo, em busca do conhecimento e não depender de
outras pessoas para ler ou escrever algo para que consigam entender.
Depois das entrevistas realizadas, e vimos uma turma
heterogenia apesar das distintas idades entre os alunos, pois
conforme a idade deles ocorre um choque de cultura, mas com essa
diferença podemos afirmar que podemos aprender escutando o que
o outro tem a nos informar.
De acordo com OLIVEIRA:
Todos somos inteligentes, todos pensamos de forma
adequada, já que os mecanismos do psiquismo são
universais. Paradoxalmente, o contexto, a cultura, a
história, que parecem ser tão proeminentes nessa
abordagem que busca romper com o etnocentrismo,
seriam componentes quase que acessórios, que apenas
permitem, favorecem, promovem a emergência daquilo
que está posto como possibilidade psicológica de todos
os seres humanos. (Oliveira, 1997, p. 52)
Conhecer, perceber, escutar fazer o aluno se descobrir
como cidadão onde ele mesmo consiga ter forças e energia para
continuar dentro da escola para que consiga realizar o sonho da
conquista da diplomação, de um novo emprego, ou seja, de um
futuro melhor.
De acordo com Vygotsky 2008 (apud. VARGAS, GOMES.
2013 p. 3), o sujeito é ativo e interativo, pois constrói
conhecimento e constitui-se por meio das relações interpessoais. É
na troca com outros sujeitos e consigo mesmo que seus
conhecimentos, papéis e funções sociais vão sendo internalizados,
possibilitando a construção de novos conhecimentos e o
desenvolvimento da personalidade e da consciência
Conclusão do grupo:
Após as entrevistas, as leituras dos artigos nós concluímos que
a EJA é sim um resgate de uma parte da população que
infelizmente ainda continua a margem da sociedade.
E que
infelizmente ao longo da história poucos governos levaram
a sério esta questão.
O pouco/muito que podemos fazer como educadores é dar
atenção devida quando atuamos com essa modalidade de
ensino, sempre incentivando a não desistirem.
Saber escutar suas histórias, respeitar e fazer todos se
respeitarem, pois mesmo que não tenham o letramento essas
pessoas têm muito a ensinar a todos nós.
Na noite do dia 20/06/2018 apresentamos nosso trabalho, e assistimos as apresentações dos trabalhos das colegas, um momento de grandes aprendizagens e trocas de conhecimentos.
Parabéns a todos os grupos.

Referências:
FRIEDRICH, Márcia. et al. “Trajetória da escolarização de jovens e adultos no
Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas”. Ensaio: aval.
pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 18, n. 67, p. 389-410, abr./jun. 2010.
RESOLUÇÃO Nº 04, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2015. Disponível em:
http://www.viamao.rs.gov.br/files/Resoluo_N_04.pdf Acesso em: 17/06/2018 às
16h44min.
VIEGAS, Ana Cristina Coutinho.; MORAES, Maria Cecília Sousa de. Um convite ao
retorno: relevâncias no histórico da EJA no Brasil. Revista Ibero-Americana de
Estudos em Educação, Araraquara, v. 12, n. 1, p.456-478, 2017. Disponível em:
. E-ISSN: 1982-5587. Data de
submissão: 03/2017. Aprovação final em: 03/2017



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