quinta-feira, 21 de junho de 2018





                                    Apresentações 

Para a finalização da interdisciplina da Eja, recebemos a proposta de criarmos grupos e realizarmos entrevistas com alunos e professores da educação de jovens e adultos.
No segundo momento os pequenos grupos apresentaram o trabalho para o grande grupo.
Seguindo a orientação para o trabalho o mesmo ficou assim:

Educação de Jovens e Adultos no Brasil – Turma B
Proposta 2 Entrevista com estudantes ou egress@s da EJA Professora Aline Reis C. Hernadez
Tutora: Maria Rosane Rutsatz Componentes do grupo: Andreia A. Manoel Godinho Luceli Catiane da Silva Maria Lúcia da S. Rodrigues Rosângela de A. Farias

A entrevista realizada, ocorreu com os alunos da EJA na E.M.E. Fundamental Farroupilha, situada na Avenida Senador Salgado Filho, nº 6031, vila Orieta, cidade de Viamão, RS. Com as turmas das professoras “D” e “C”, Etapa I e Etapa II.
❖ Horário das aulas: das 18:30 às 22:00hs. ❖ O espaço físico da escola é bom, tem muros em seu entorno para dar mais proteção a comunidade escolar, grades no hall de entrada que dá acesso direto à secretaria escolar, e a portaria tem um guarda municipal e o portão chaveado. Tem área coberta para dias de chuva. ❖ A escola tem sala de multimídia, sala de atendimento educacional especializado, biblioteca, quadra de esporte fechada e também aberta, horta escolar, saguão com mesa de flaflu e ping pong para os alunos se distraírem no intervalo, refeitório bem grande com mesas e bancos para os alunos lancharem, para aqueles que chegam direto do trabalho podem jantar antes de começar as aulas. ❖ A escola esta numa área urbana onde têm pequenos comércios, igreja, farmácias
Dados da entrevista:
 ❖ Entrevistados: 10 alunos
 ❖ Idade: Entre 24 a 64 anos 
❖ Gênero: 8 F e 2 M ❖ Etnia/ Raça: 5 brancos - 3 negra - 2 parda 
❖ Todos estudaram em escolas públicas. A maioria necessita se desloca com transporte coletivo. Somente duas alunas não frequentaram a escola quando crianças. Uma delas, aos 16 anos participou do “Projeto Ler” por 2 anos, sendo alfabetizada. Ofertado numa escola no horário noturno das 18h as 20:30min.
Como era o ensino nos anos em que frequentou a escola durante a infância/adolescência? 
❖ Educação e professores mais rígidos;
 ❖ Podiam castigar e puxar orelhas dos alunos;
 ❖ As aulas eram todos os níveis juntas, no Projeto Ler. O motivo que os levou a não estudar ou deixarem a escola mais cedo:
 ❖ Precisavam trabalhar ou cuidar dos irmãos; 
❖ Escola era distante;
 ❖ Pais ou responsáveis acreditavam que pobre não tinha necessidade do filho estudar.
 ❖ Expulso por falta de respeito, pai trabalhava como pedreiro, e não o matriculou mais.
Por que retornar a escola?
 ❖ Saber ler e escrever para não passar vergonha; 
❖ Realização do sonho da formatura; 
❖ Para saber ler e compreender os documentos antes de assinar;
 ❖ Retornou para dar incentivo para filha, mas a filha parou devido o marido não deixar ela estudar (16 anos); 
❖ Não perder o emprego;
 ❖ Ter uma certificação para subir de cargo ou arrumar um emprego melhor; 
❖ Dar continuidade nos estudos, visando fazer um curso técnico ou superior.

A escola de hoje é diferente da escola que você estudou na infância?
 ❖ A maioria relatou que não mudou; 
❖ Somente a forma dos professores são mais amigos e conversam mais com os alunos, e que antes eram severas, rígidos que as crianças tinham medo.
Que lembranças trazem de quando estudaram, o que aprenderam?
 ❖ Lembram das letras, do alfabeto, dos números das operações, de pintar e copiar do quadro.
 ❖ Um livro que era usado somente na sala de aula;
Como o professor(a) ensinava? 
Passava no quadro, lia e fazia prova escrita e prova oral, tínhamos que decorar e fazer como ele ensinava. O que achava desta forma de ensinar? 
A maioria disse que achava bom, mas quem conseguia se fazer como a professora mandava se dava bem, os demais tinham que fazer várias cópias no caderno com a letra que era indicada. 
Voltar a estudar está sendo para eles a realização pessoal, e uma satisfação muito grande. E sair da rotina, voltar a viver uma vida social mesmo que dentro da escola, com os colegas, participar de eventos e ainda conseguir atingir o principal objetivo “se alfabetizar” “ter uma certificação”, para todos está sendo muito importante.
O que você  acha de estar na escola?
 O que aprendes na escola da EJA consegues levar para tua vida? 
Sim, quem tem crianças pequenas na fase da alfabetização, já consegue auxiliar essa criança. Consegue incentivar outras pessoas a voltar a estudar. Recebem muito estimulo da família e amigos e torcendo pela nova conquista.
 Qual o sentido para você de (voltar a) estudar agora, depois de jovem/adulta(o)?
 Diferente, as vezes difícil, devido a rotina que se tem na vida adulta, os compromissos, as preocupações, o medo de sair a noite e de voltar para casa, mas ao mesmo tempo se sentem animados por estarem fazendo algo novo, em busca do conhecimento e não depender de outras pessoas para ler ou escrever algo para que consigam entender. 

Depois das entrevistas realizadas, e vimos uma turma heterogenia apesar das distintas idades entre os alunos, pois conforme a idade deles ocorre um choque de cultura, mas com essa diferença podemos afirmar que podemos aprender escutando o que o outro tem a nos informar.
 De acordo com OLIVEIRA: Todos somos inteligentes, todos pensamos de forma adequada, já que os mecanismos do psiquismo são universais. Paradoxalmente, o contexto, a cultura, a história, que parecem ser tão proeminentes nessa abordagem que busca romper com o etnocentrismo, seriam componentes quase que acessórios, que apenas permitem, favorecem, promovem a emergência daquilo que está posto como possibilidade psicológica de todos os seres humanos. (Oliveira, 1997, p. 52)
Conhecer, perceber, escutar fazer o aluno se descobrir como cidadão onde ele mesmo consiga ter forças e energia para continuar dentro da escola para que consiga realizar o sonho da conquista da diplomação, de um novo emprego, ou seja, de um futuro melhor.
 De acordo com Vygotsky 2008 (apud. VARGAS, GOMES. 2013 p. 3), o sujeito é ativo e interativo, pois constrói conhecimento e constitui-se por meio das relações interpessoais. É na troca com outros sujeitos e consigo mesmo que seus conhecimentos, papéis e funções sociais vão sendo internalizados, possibilitando a construção de novos conhecimentos e o desenvolvimento da personalidade e da consciência
Conclusão do grupo: 
Após as entrevistas, as leituras dos artigos nós concluímos que a EJA é sim um resgate de uma parte da população que infelizmente ainda continua a margem da sociedade. 
E que infelizmente ao longo da história poucos governos levaram a sério esta questão. O pouco/muito que podemos fazer como educadores é dar atenção devida quando atuamos com essa modalidade de ensino, sempre incentivando a não desistirem. Saber escutar suas histórias, respeitar e fazer todos se respeitarem, pois mesmo que não tenham o letramento essas pessoas têm muito a ensinar a todos nós.

Na noite do dia 20/06/2018 apresentamos nosso trabalho, e assistimos as apresentações dos trabalhos das colegas, um momento de grandes aprendizagens e trocas de conhecimentos.
Parabéns a todos os grupos.


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Referências:
 FRIEDRICH, Márcia. et al. “Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas”. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 18, n. 67, p. 389-410, abr./jun. 2010. RESOLUÇÃO Nº 04, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2015. Disponível em: http://www.viamao.rs.gov.br/files/Resoluo_N_04.pdf Acesso em: 17/06/2018 às 16h44min. 
VIEGAS, Ana Cristina Coutinho.; MORAES, Maria Cecília Sousa de. Um convite ao retorno: relevâncias no histórico da EJA no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 12, n. 1, p.456-478, 2017. Disponível em: . E-ISSN: 1982-5587. Data de submissão: 03/2017. Aprovação final em: 03/2017
 VARGAS, Patrícia Guimarães; GOMES, Maria de Fátima Cardoso. Aprendizagem e desenvolvimento de jovens e adultos: novas práticas sociais, novos sentidosArquivo In: Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 39, n. 2, p. 449-463, abr./jun. 2013.a GIROUX, Henry A. Alfabetização e a pedagogia do empowerment político . Universidade de Miami. Oxford, Ohio . S/ano.

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